KARLA CRISTINA: os processos do bater asas para a Universidade

Capa-texto

“Será que o sol sai pra um voo melhor?

Eu vou esperar, talvez na primavera

O céu clareia, vem calor

Vê só o que sobrou de nós e o que já era”

Emicida ft. Vanessa da Mata – Passarinhos

 

Quando fala sobre sua trajetória, Karla Cristina gosta de lembrar de onde veio: “Menina de uma vila com 100 habitantes, no interior do Tocantins, que voou longe”. Karla nos escreveu há alguns meses, após receber o diploma de mestrado e é com sua história que iniciamos esse projeto de escrita-memória.

Natural de Itacajá, no norte do Tocantins, Karla percorreu um caminho longo até a universidade. Depois de concluir o ensino médio, em 2014, a aprovação não veio nas duas primeiras tentativas. Em 2015, a rotina era intensa: estudava pela manhã, trabalhava à tarde como jovem aprendiz e frequentava cursinho à noite. Aos domingos, ainda havia as aulas de redação. Mesmo assim, o sonho precisou esperar mais um ano.

Na terceira tentativa, decidiu trabalhar como diarista para conseguir organizar melhor os estudos. Foi nesse período que encontrou o TrilhaUni, cursinho popular do Cajueiro, um espaço que acolhia jovens que sonhavam com a universidade pública, mas não tinham condições de pagar um preparatório.

Ela lembra com detalhes do dia em que a vida mudou: “Eu estava fazendo faxina em um apartamento e questionando Deus até onde iria tanta luta sem vitória. Naquele dia, Ele me deu a resposta.”

A aprovação veio primeiro em Zootecnia e, depois, em Medicina Veterinária. Em 2017, deixou sua cidade para começar uma nova vida em uma universidade pública, sem conhecer ninguém na cidade onde passaria os próximos anos.

Concluiu a graduação em 2022. Mais uma vez, as dúvidas sobre o futuro a cercaram. Até que um colega sugeriu que ela tentasse o mestrado. A primeira reação foi de insegurança. “Pensei na hora: Nunca. Não tenho capacidade para isso”, mas decidiu tentar.

Hoje, Karla é médica veterinária e mestre em Biociência Animal. Ao olhar para trás, reconhece que sua trajetória foi construída por muito esforço, oportunidades e pessoas que acreditaram nela quando ela mesma ainda duvidava:

“Acredito que ainda tenho vários outros propósitos.”

 

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