No último sábado (9/5), os estudante do TrilhaUni, juntamente de alguns de seus familiares, participaram do espetáculo musical Djavan – Vidas para Contar no teatro Rio Vermelho. A ação foi possível graças ao apoio do companheiro Waldeir que garantiu os ingressos e de Joara e Débora, da equipe do TrilhaUni, que auxiliaram na ida.
É a segunda peça que os/as estudantes assistem neste ano. Edvaldo, coordenador do projeto TrilhaUni, explica que o processo de levá-los/as ao teatro é trabalhoso e vai desde a garantia de ingressos gratuitos até o momento do espetáculo. “A linguagem do teatro não faz parte do cotidiano deles. Temos que conversar e convidá-los, insistir e ter paciência para que o momento possa acontecer. Ao final, acabam gostando da experiência”, afirma.
O coordenador também interpretou que este segundo espetáculo comunicou melhor com os/as jovens: “O primeiro espetáculo apresentava a biografia de Tom Jobim, homem branco, de classe média alta, que cresceu e viveu parte da vida na Zona Sul do Rio de Janeiro. Já o segundo narra a trajetória de Djavan, um homem negro, pobre e nordestino que migra para o Sudeste em busca do sonho de viver da música. Quase todo o elenco desse musical é composto por pessoas negras, e a narrativa é conduzida pela ideia de ancestralidade africana. As pessoas brancas que aparecem na montagem ocupam, em geral, posições de poder, como donos de gravadoras e figuras influentes no meio musical. O racismo e as humilhações impostas à população negra são retratados de forma bastante realista ao longo da obra. O enredo de Djavan – Vidas pra Contar se aproxima mais da realidade de muitos estudantes do TrilhaUni, sejam eles negros ou não, o que talvez explique por que vários deles relataram ter gostado mais desse espetáculo”, completou.
Momentos como esse são de extrema importância na trajetória desses e dessas jovens por diversos motivos. Em primeiro lugar, porque a cultura e o conhecimento acadêmico estão profundamente entrelaçados: caminham lado a lado e se alimentam um do outro. Em segundo lugar, porque, para muitos e muitas, esta foi a primeira vez em um teatro e essa memória criada é daquelas que ficam gravadas na gente, mesmo depois de décadas. O Cajueiro se alegra com essas vivências e reforça o pedido para que parceiros nos ajude a tornar possíveis, cada vez mais, oportunidades tão significativas como essa.
Texto: João Víctor Carvalho | Fotos: Edvaldo Gomes